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Detalhe do Livro

(Des) medidos - A revolta dos quebra-quilos (1874-1876)
ISBN: 9788574783888
(Des) medidos - A revolta dos quebra-quilos (1874-1876)
Autor: María Verónica Secreto .
Editora: Mauad Editora Ltda
Gênero: História
Páginas:128

Por: R$ 24,00

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Este livro constitui uma valiosa contribuição à relativamente nova corrente da história agrária brasileira que busca recuperar o papel das classes subalternas na construção do Estado nacional e desafiar a visão tecida pela historiografia tradicional em torno dos “fundadores do império” e da insignificância dos movimentos populares nesse processo. Desafia também as explicações centradas na (antiga) história das mentalidades, que tratam como problemas culturais o que na realidade são enfrentamentos práticos e conscientes que denunciam condições de grande injustiça social. O estudo da autora inserta o movimento do Quebra-quilo na longa corrente de rebeliões dos anos da Regência, as quais, na segunda metade do século XIX, convertem-se em manifestações de resistência ao Estado Nacional e de revolta contra medidas que, sem bem atendiam a uma lógica de “modernização” do aparelho administrativo e bélico do Império, ignoravam direitos consuetudinários que estavam no centro da organização social das comunidades de agricultores pobres livres do interior
 O livro de María Verónica Secreto constitui uma valiosa contribuição à relativamente nova corrente da história agrária brasileira que busca recuperar o papel das classes subalternas na construção do Estado nacional e desafiar a visão tecida pela historiografia tradicional em torno dos “fundadores do Império” e da insignificância dos movimentos populares nesse processo. Desafia também as explicações centradas na (antiga) história das mentalidades, que tratam como problemas culturais o que, na realidade, são enfrentamentos práticos e conscientes que denunciam condições de grande injustiça social. O estudo de Secreto inserta o movimento do Quebra-quilo na longa corrente de rebeliões dos anos da Regência, as quais, na segunda metade do século XIX, convertem-se em manifestações de resistência ao Estado Nacional e de revolta contra medidas que, se bem atendiam a uma lógica de “modernização” do aparelho administrativo e bélico do Império, ignoravam direitos consuetudinários que estavam no centro da organização social das comunidades de agricultores pobres livres do interior. O Quebra-quilo, tão próximo no tempo – em suas reivindicações, medos e métodos de ação – da rebelião iniciada em Pernambuco contra o Registro dos Nascimentos e Óbitos, a chamada Guerra dos Marimbondos (ou Ronco da Abelha em outras províncias), é, como indica a autora, a última grande rebelião popular agrária do Império. Mas é uma rebelião que permite a Secreto destacar a imensa participação das mulheres em momentos culminantes da revolta, e, ao mesmo tempo, iniciar uma reflexão sobre a lógica da participação nas demonstrações de insatisfação de sociedades agrárias em rebelião. Esta é uma das mais interessantes contribuições do texto e certamente abrirá novos caminhos de pesquisa que também deverão orientar os estudos sobre os impactos da Guerra do Paraguai e da Lei de Ventre Livre nos movimentos populares tardios do Segundo Reinado. Guillermo Palácios - Colégio de México. SOBRE A AUTORA:María Verónica Secreto é historiadora. Lecionou na Universidade Federal do Ceará e na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Atualmente, é professora de História da América na Universidade Federal Fluminense. Publicou, entre outras obras, Soldados da Borracha, Trabalhadores entre o Sertão e a Amazônia no Governo Vargas (Perseu Abramo, 2007).
 Nos últimos meses de 1874 e durante 1875, várias províncias do atual Nordeste se viram afetadas por revoltas populares. Mas, na província de Minas Gerais, essa revolta se alastrou pelo ano de 1876. Conhecida pelo nome de Quebra-quilos – da mesma forma que foram chamados seus integrantes em alusão à destruição dos padrões de pesos e medidas que realizaram –, a rebelião se agravou na proximidade do fim do ano. Próximo ao Natal, cuja missa era, há tempos imemoriais, ocasião para a leitura das novas leis, multidões de livres e pobres se reuniam em torno das igrejas para evitar a leitura das novas leis que as prejudicariam. A estratégia de ação era a de calar a lei e forçar o silêncio. Em alguns lugares, os revoltosos foram chamados de “rasga-listas” por destruírem as listas do recrutamento. A palavra escrita foi identificada como parte do problema ou o problema em si. Foram queimadas coletorias, destruídos cartórios, livros de registro de escravos, etc. Trata-se de uma clara oposição às forças “centrípetas” do Estado e este era representado pela palavra escrita: a lei positiva opunha-se ao costume. Essa revolta não se tratou de uma rebelião dos “vencidos da história”. Na prática, foi uma revolta relativamente “exitosa”. Conseguiu postergar a generalização do sistema métrico decimal, o registro civil dos nascimentos, casamentos e óbitos e dificultou enormemente a realização do alistamento militar.